Força Estranha

Tem horas que o mais importante é entender a pulsão que acontece do outro lado da câmera e simplesmente reconhecer que o momento não é de estripulias formais, apenas registro do momento. Com esse reconhecimento, o ‘apenas’ vira outra coisa muito maior.

É a beleza de Soul Power, não só reconhecendo James Brown, B.B King, Bill Whiters como também a senhora do festival Miriam Makeba.

É o que Straub percebeu e mostrou com Crônica de Anna Magdalena Bach.

É o que muitos críticos sem ter o que falar, atestam ao dizer que o filme/cena/mise-en-scène/tem uma “força enorme”.

É o que eu diria sobre o vídeo abaixo, se fosse um desse críticos, atestando a força de Bethânia.

É a esperteza do bom documentarista. Nisso, o Andrucha tem seus acertos…


7 respostas para “Força Estranha

  • Sérgio

    Esse trecho do filme é fantástico. Não que seja difícil tirar algo belo de uma interpretação dessas. Já a última sentença, na última frase, carece de explicações. Me dá a impressão de querer causar polêmica apenas pelo prazer de fazê-lo. Grande abraço pra vocês!

    • Fabian Cantieri

      Realmente acredito nesse inteligência do documentarista para sacar e saber lidar com o que tá acontecendo na sua frente. Não é do objeto que sai arte, mas da relação entre quem filma, a câmera e o filmado. Nisso parece que defendo mais ainda o Andrucha e não tiro o mérito dele quanto a esse filme. Mas fico nesse filme. Ele deve muito a Bethânia. Mas ela não faz mágica sempre. No “Outros (Doces) Bárbaros” por exemplo, ele tem quatro gênios à frente e age com uma frieza burocrática gigantesca. Estrutura careta, filmagem sem tesão…

      • Sérgio

        Acho que o documentarista tem que se esforçar muito para “arruinar” um momento como esse. Ou se esforçar pouco, sendo negligente com seu próprio filme. Até!

  • Mario

    só que o momento aí parece bem “montado” né? “Vamos ali na estação pra cantar Motriz, levamos o violão e o tripé”. Então não vejo tanto essa “pulsão” do presente, um jogo de cintura documentarista do “cinema direto” (se é disso que estás falando), e sim um momento calculado e muito feliz dentro do filme. Como na Crônica do Straub. Inclusive acho que você me disse (e eu nunca confirmei) que essa cena foi dublada! Prefiro duvidar dessa… estripulia formal?

    ha estamos pegando no pé de um post tão informal.

    É o capítulo mais bonito desse DVD pra mim também, nas primeiras vezes que vi fiquei no repeat por uma hora, se bobear.

    Mario

    • Fabian Cantieri

      Total montado! Olhe para as mãos da Bethânia no primeiro corte – raccord estranho – para a mulher que some no plano aberto ou para o menino ao fundo que vinha andando e nunca passa pelos dois na estação de trem. Foram alguns takes certamente e eu tendo a duvidar que esse som tão límpido tenha saído daquele boom que “sem querer” entra em quadro. Pode não ser dublagem (eu não tenho como confirmar isso nem vou pesquisar) mas no mínimo, no mínimo foi uma bela pós-produção.

      Quando escrevi da “pulsão” (por que escrevemos em “aspas”?) estava pensando mais no filme com a Miriam Makeba (Soul Power), talvez a melhor surpresa do Festival do Rio de 2009 pra mim. Ali tava claro que o cinegrafista (às vezes, até mais do que o próprio diretor que não tem muito como controlar isso) teve jogo de cintura, pois não haveria outra chance e resolveu ficar parado só registrando o momento, sem a tal estripulia. Era um festival, ia cantar uma vez e ia embora, não ia repetir pro cara.

      Em Woodstock, a chance de um momento a la Motriz era grande, então começa uma estratégia para cobrir o maior número de ângulos possíveis (que no caso desse filme, o editor resolveu pegar todos os takes e usá-los pois achou que seria divertido vermos os mesmos momentos de Joe Cocker em seu Air Guitar em tela dividida). É aonde chegamos com as gravações de DVD onde a tática mais recorrente do diretor é encher o palco com 57 câmeras possíveis (em helicópteros ou GoPro’s no tecladinho ou pedaleira).

      Mas às vezes, existe aquele segundo de intuição e sagacidade que você percebe que as mãos nervosas de Jackie Kennedy (em Primárias) traduz todo o cenário político do momento.

      Enfim, mas no final, é pelo seu/meu repeat no DVD, que a vontade bate de postar essas coisas…

  • Mario

    eles fizeram o video com mais de um take, então o som de um dubla o outro.. acho que é isso, né? Revi agora.

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