Um mundo sem esforço

Ouça isso.

E depois veja isso.

Não, não é um post pra agraciar “saudosisticamente” Dorival Caymmi – “Ah que bons tempos eram aqueles de Amélia, Adélia e dos blocos sem violência. Não sei, não conheço nenhuma Amélia e a violência, em todos os sentidos, tá aí embutida no mundo (algum dia não esteve?).

Na verdade, a cena de Estrela da manhã, ao contrário do link da Bethânia pra mim, soa quase redundante nesse contexto, com ele ali, tocando violão pra ela ali na pedra escutando, por que o incrível de Dorival é que ele consegue criar um mundo muito único mas te inserindo ali no meio. Esqueça o papo de novela de rádio. Ponto pra música dessa vez. Sem entrar em rixas sem fundamentos entre ela e o cinema, esse é um dom muito particular de uma obra audio-não-visual. Caymmi trabalha eternamente sobre um tema, em cima de um mundo específico e levantar as qualidades desse mundo já seria algo inovador pro seu tempo. Ele vai além e te transporta durante aqueles minutos da canção pro epicentro (pro)positivo dessa terra. Um outro tipo de imersão. Raras vezes, a música ganha esse poder, onde com imagens, como as de Estrela da manhã, tudo se perde um pouco. Fica tudo dado. Sem o prazer do esforço criativo.

Bateu-me essa sensação quase terapêutica ao andar eternamente esbarrando em alguém pelas ruas de Ipanema. Ultimamente tenho preferido me enfiar numa bolha ouvindo Canções Praieiras pra ver se a praia que é logo ali, fica com mais cara da areia de Caymmi.


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